O que a natureza levou milhões de anos para criar poderá desaparecer em alguns meses

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No final do primeiro semestre de 2008, fomos informados que a EMAE - Empresa Metropolitana da Águas e Energia do Estado de São Paulo - tem planos para construção de duas "PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS" (PCHs) no MÉDIO TIETÊ, mais precisamente em "Guaxatuba", município de Cabreuva e "Pedra Azul" no município de Itu.

Como consta no documento e do mapa que nos foi entregue pela empresa extenso trecho da Estrada Parque (Estrada dos Romeiros) que liga Itu a Cabreúva, margeando o Tietê, será inundado tornando-se intransitável. Também ocasionará a destruição de importante área remanescente de "Mata Atlântica" no interior paulista. Essa estrada se constitui em patrimônio da história rodoviária de Saõ Paulo.

Inaugurada em 1922, ano do Centenário da Independência do Brasil, construída no governo de Washington Luís Pereira de Souza, em uma época em que estradas eram abertas com o trabalho braçal, as ferramentas eram picaretas e enxadas, o transporte de materiais eia feito por carroças puxadas por burros. Aquele trecho do Tietê é de extraordinária beleza natural, que como o Parque das Lavras em Salto, apresenta bélíssimas corredeiras, vales profundos em leito granítico. Tudo isso vaidesaparecer com a formação dos lagos além das matas já citadas.

Ainda em 2008, a secretária de Energia e Saneamento Dilma Celi Pena em entrevista ao jornal "O ESTADO DE SÃO PAULO" afirmou que em breve a hidrelétrica Henry Borden localizada no pé da Serra de Cubatão terá sua produção acrescida em 400 MW. Isso ocorrerá com a reversão das águas do "Rio Pinheiros" para a "represa Billings" como ocorria até o início da década de 1990. O sistema de flotação daquele rio está apresentandoresultados positivos quanto a despoluição de suas águas. Então o TIETÊ não recebendo as águas do Pinheiros como ocorre hoje, sua vazão será drasticamente reduzida, sem água, como funcionarão as PCHs?

É preciso o engajamento das autoridades, das entidades da sociedade civil organizada, e de toda a comunidade para salvarmos nosso glorioso Tietê que para empresários é visto simplesmente como um acidente geográfico com possibilidade de grandes lucros.

Francisco Antônio Moschini
Membro da ONG INEVAT de Salto em entrevista ao Jornal das Águas - CBH-SMT - nº 50 - ano 10 - fev/mar de 2009.

Última atualização ( Sáb, 14 de Março de 2009 17:37 )  

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